Existem mesmo raças potencialmente perigosas?


Esta é daquelas questões que vemos muitas vezes respondida com um "Não. Os donos é que são perigosos!" Mas será mesmo assim?

Existem mesmo raças potencialmente perigosas?

Para respondermos de uma forma rigorosa a esta questão, temos de perceber o que caracteriza um cão perigoso, um cão de uma raça potencialmente perigosa e um cão agressivo.


Antes de mais, qualquer cão pode ser agressivo, sendo que o termo "agressão" refere-se a uma grande variedade de comportamentos que podem ocorrer por um grande número de razões e em várias circunstâncias. Um cão pode ser agressivo por medo, por proteção, por posse, por dor, por fome, etc.


Mas se uma "agressão" de um Chihuaha apenas nos provocará alguns arranhões, uma "agressão" de um Cão de Fila Brasileiro ou de um Pit Bull Terrier já será muito mais perigosa. Assim, o que define um cão perigoso é o "estrago" que ele pode fazer devido ao seu porte e à força da sua mandíbula. Por isso, SIM, existem raças potencialmente perigosas (cães de grande porte e de extrema força mandibular), o que não significa que qualquer cão dessa raça seja perigoso. Trata-se, sim, de uma raça potencialmente perigosa, uma vez que uma "agressão" sua pode causar grande dano, inclusive a morte.


Dizer que "os donos é que são perigosos" é daquelas afirmações inconsequentes e perfeitamente banais. Isto porque um Pit Bull Terrier pode ter um dono excecional, que não lhe estimula a mordida, que lhe dá muitos beijinhos e dorme com ele na cama. Podemos até estar perante um cão muito meiguinho que nunca mordeu ninguém. Mas se não teve desde cedo uma boa socialização (e são muitos, mesmo muitos, os donos de cães de qualquer raça que não a fazem e não a sabem fazer), perante uma circunstância em que se sinta ameaçado (uma criança a falar alto, um gesto mais brusco, uma pessoa a correr), pode - tal como qualquer cão de qualquer raça - assumir uma atitude agressiva-defensiva. Isto é, perante o medo e/ou o susto, em vez de recuar e fugir, decide que a melhor defesa é um bom ataque. E um ataque de um Pit Bull Terrier não se compara a um ataque de um Chihuaha no que diz respeito ao dano que pode causar...


Lembremos que muitas pessoas adotam - e bem - animais em canis ou associações de defesa de animais. Ora, muitas vezes não é possível, nestas circuntâncias, conhecer a história do cão, os traumas por que passou, os seus medos ou fobias. E um cão muito meiguinho pode, de uma forma imprevisível e até incompreensível para o dono, tornar-se agressivo numa circunstância muito específica, apenas e tão só porque, noutras ocasiões, circunstâncias semelhantes infligiram-lhe dor, por exemplo.


Acresce ainda que a pureza das raças, desenvolvidas e aperfeiçoadas com fins muito específicos (cão guia, cão pastor, cão de guarda), leva a que os seus espécimes tenham efetivamente temperamentos específicos que podem passar totalmente despercebidos a qualquer dono, por muito bem intencionado que esteja no relacionamento com o seu cão.


Assim:
a) qualquer cão de qualquer raça pode ser agressivo;
b) alguns cães são de raças consideradas potencialmente perigosas apenas e tão só porque têm um porte e uma força mandibular que podem causar danos muito graves;
c) um cão de raça potencialmente perigosa (porque possui grande porte e força mandibular extrema), se foi bem socializado e for um cão equilibrado, não é perigoso (porque não é agressivo);
d) alguns cães são efetivamente perigosos, porque, aliado ao porte e à força mandibular, são, por motivos vários, agressivos.

Em qualquer dos casos, é sempre recomendável que treine o seu cão, independentemente da raça, recorrendo, para tal, à ajuda de um profissional habilitado.


E não se esqueça: não faz sentido dizer que "os donos é que são perigosos." Existem, sem dúvida, donos que estimulam cães para o ataque ou que tratam mal os seus animais de companhia desenvolvendo neles fobias e agressividade. Mas existem muitos outros bem intencionados, que tratam muito bem os cães. Contudo, não deram o treino adequado ao seu cão e, apesar de aparentemente meigo, têm, sem se aperceberem, um cão perigoso.

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